Antropofagias digitais

Apropriações e convergências em rede

Como blogueiros escolhem e hierarquizam o que postam

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O título desse post corresponde a uma das questões centrais da minha tese. Atualmente, estou fazendo

Blogcast com Marcos Lemos

entrevistas com blogueiros cujos blogs estavam entre os 100 mais bem colocados no ranking do BlogBlogs em novembro de 2009 e se mantiveram assim em julho de 2010. Pasmem: são apenas 23.  Pretendo entrevistar cerca de cinco desses blogueiros.

Minha primeira conversa foi com o Marcos Lemos (@hordones), do Ferramentas Blog. Muito proveitosa para mim, virou também um blogcast dele, disponível por streaming ou para download.

É padrão devolver ao entrevistado a transcrição de perguntas e respostas.  O Marcos Lemos preferiu receber o MP3 e concordamos com a divulgação de partes da conversa. Achei muito interessante participar dessa mudança de utilização da entrevista – mesmo antes da minha análise e das reflexões da tese, a entrevista foi aproveitada por ele e, quem sabe, pode colaborar para que os ouvintes do podcast reflitam  sobre como escolhem e hierarquizam o que postam.

Devo admitir que estou adorando essa fase da pesquisa. Em breve, farei o mesmo com o YouTube.

Written by Joana Ziller

setembro 19th, 2010 at 6:45 pm

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Rankings de blogs escondem pequenas armadilhas

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A maneira de estabelecer rankings de blogs, baseada em seu prestígio e não em sua visitação, é boa por não tomar de maneira absoluta os acessos únicos, como fazem os repositórios de vídeo, por exemplo. Assim, se aproxima da mediação social.

Por outro lado, cria problemas. Tanto no ranking do Blogblogs.com.br

Home do http://www.blogandoblog.info

quanto no pagerank permanecem listados – por vezes, bem listados – blogs que saíram do ar ou estão em domain parking – estacionamento de domínios, em tradução livre.

Acredito que pelo menos uma das causas desse fenômeno seja simples: ambas as medições se baseiam nos links que os blogs recebem. Quando esses blogs mudam ou saem do ar, esses links não são alterados -  podem permanecer muito tempo intocados.

Um exemplo é o www.blogandoblog.info (imagem deste post). Há seis meses, ocupava a posição 69 do ranking do BlogBlogs. Atualmente em domain parking, caiu para além da posição 23 mil do ranking, mas mantém seu pagerank em 3, o que é melhor do que muitos blogs ativos (este, inclusive).

Se pensarmos na ideia de prestígio, que é a base do sistema, tais problemas são fruto de coerência – ainda que o blog seja extinto, seu prestígio não desmancha no ar. Mas os rankings existem por razões pragmáticas – e muito questionadas por alguns. Listar um site que saiu do ar vai contra esse princípio e aponta problemas que ainda precisam ser resolvidos na metodologia empregada.

Written by Joana Ziller

agosto 4th, 2010 at 4:38 pm

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O sobe e desce dos canais no YouTube

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É interessante ver como se alternam os canais de vídeo do YouTube entre aqueles mais vistos no último mês. Se compararmos os listados em novembro de 2009 e aqueles que figuram na lista de julho de 2010, teremos:

• Oito dos dez canais mais acessados em novembro de 2009 tiveram sua conta suspensa

Página de canais do YouTube

Página de canais do YouTube

Ou o que mais frequentemente atrai visitantes é proibido pelas regras do site, ou há uma vigilância maior entre os mais acessados, e o usuário que posta material não permitido fica mais vulnerável.

• 90 dos que figuravam entre os 100 mais acessados em novembro não constam mais da lista. Desses 90 canais, 30 tiveram sua conta suspensa;  outros 9 não são atualizados há mais de seis meses.

O índice de contas suspensas é menor no universo dos 100 canais mais acessados do que entre os top 10, mas ainda é bastante alto. Dos quase 40 canais suspensos ou que deixaram de receber atualizações, em nove a iniciativa foi do usuário, enquanto as restrições do YouTube determinaram 3/4 dos casos.

Todos os que continuam na lista dos mais acessados no último mês têm atualização constante

Mas a recíproca não é verdadeira: dos que deixaram a lista dos 100 canais mais acessados, 32 foram atualizados no último mês.

Written by Joana Ziller

agosto 2nd, 2010 at 6:51 pm

Incentivo à pirataria?

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Um amigo me apresentou uma banda francesa muito bacana, chamada Scotch et Sofa. Depois de ouvir algumas músicas e gostar, quis comprar para não ouvir apenas em ambientes com computador.

Eles ainda não têm CD gravado e fui atrás do MP3. Encontrei em pelo menos dois sites: Amazon e iTunes. Estavam lá as três músicas do EP por pouco menos de US$ 3. Cartão na mão, pedi o download… que não aconteceu. Eu só poderia comprar se estivesse nos EUA.

Tentei outras lojas e caí no mesmo problema. Não há como obter legalmente, dando uma força para os caras, as músicas do Scotch & Sofa. Bom, isso não é novidade para a maioria das pessoas que costuma baixar música. Mas fiquei pensando nas minhas opções.

Uma breve busca no Google revela dezenas de modos de baixar as músicas do YouTube, MySpace e sites como o Deezer. Em tempos de disseminação viral de arquivos e informações, que objetivo tem esse tipo de limitação? É um incentivo à pirataria vindo dos mesmos que elaboram projetos mundiais contra o compartilhamento de arquivos que fazemos do lado de baixo do Equador.

Enquanto penso mais nisso, vou ouvindo a música liberada (inclusive para download) no YouTube.

Written by Joana Ziller

julho 30th, 2010 at 6:39 pm

Sobre universidade e mudança

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Trabalhei dois anos no Programa Conexões de Saberes na UFMG. Desse trabalho, entre os conhecimentos não registrados, ficou a percepção da tendência da universidade de ir, aos poucos, expulsando as pessoas que têm idéias diferentes da maioria, capazes de mudar o contexto em que estão inseridas. São normalmente pessoas muito competentes e que se guiam por ideais respeitáveis. Por uma série de dificuldades cotidianas, acabam acreditando que aquele não é o seu lugar.

Acho que esse é um movimento de defesa, quase um comportamento biológico de tentar expelir os corpos estranhos, como quando a gente se machuca e fica um pedacinho de vidro dentro do dedo. Uma resistência, daqueles que encontraram uma zona de conforto, à convivência com um mundo que continua mudando e espetando com suas diferenças.

Esse tipo de isolamento leva perdas à universidade e à sociedade. Perdemos todos pela postura pequena e extremamente questionável de alguns que, ao promoverem interesses privados, mais uma vez reafirmam a lógica nacional de brincar particularmente com o que não é particular. E alimentam, naqueles que fazem o melhor trabalho, a sensação de estarem “no lugar errado”.

São recorrentes na universidade os títulos de guerreiro pelo bem comum, de  pesquiso por uma vida melhor, de contra os absurdos praticados pelo senso comum e pela esfera dos mortais. Tão frequentes quanto esses é a postura de se isolar dos interesses da sociedade e tomar como dela as questões particulares.

Admiro fervorosamente aqueles que mantêm a conversa extramuros, que vêem o surgimento de novos problemas e não deixam de se inquietar com eles, que continuam buscando soluções para as questões socialmente relevantes. Pena é que são essas as pessoas que tendem, pouco a pouco, a serem isoladas e expelidas. A elas, meu encantamento cotidiano, por menos diferença que possa fazer na prática da vida de todo dia.

Para a Cida Moura

Written by Joana Ziller

maio 14th, 2010 at 10:34 am

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Teoria da Informação

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Na mesma linha do post anterior: encontrei na web o texto original de Shannon, publicado em 1948, em que ele descreve a Teoria Matemática da Comunicação – ou Teoria da Informação. Está disponível, com correções em relação ao original, no site da Bell Labs (hoje Lucent/Bell). O PDF pode ser baixado aqui.

Em 1998, o laboratório comemorou os 50 anos do paper com um simpósio, chamado de Shannonday (aff, que nome feio). Também há uma páginas com referências sobre a teoria elaborada por Shannon e algumas indicações de leitura.

Antes de começar, vale ler o verbete sobre Shannon e Weaver em The Oxford of Modern Science Writing, de Richard Dawkins – disponível no Google Boos, p. 297. O autor faz um apanhado dos principais pontos da teoria e das motivações de Shannon, que escreveu seu mais famoso trabalho durante a Segunda Guerra Mundial, quando era engenheiro dos laboratórios Bell.

Written by Joana Ziller

maio 1st, 2010 at 6:13 pm

Textos on-line discutem conceito de informação

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Talvez uma das maiores polêmicas da discussão sobre a informação seja o conceito do termo informação. Usada da matemática à biologia, a acepção não descansa – sempre há alguém a puxá-la, recortá-la, remendá-la. Por isso, começar a discutir a idéia de informação depende de um longo caminho anterior.
Remexendo essa trilha, há alguns textos importantes disponíveis on-line. Information as thing, por exemplo, é seminal no sentido de definir e discutir a informação como coisa. Não gosto da abordagem do Michael Buckland, mas é preciso passar por ela até para ir contra. Aliás, foi o próprio Buckland que, em seu site, indicou um livro muito interessante: Cybersemiotics – Why Information is Not Enough, do Søren Brier. Ainda estou lendo, mas a proposta é discutir informação a partir da semiótica peirceana e das idéias de Luhman. A semiótica, aliás, também inspira o recorte de nomes nacionais, como da Cida Moura, minha incrível orientadora, que tem alguns artigos com disponíveis em sua página no Mendeley e textos no blog.

Outro nome fundamental para a discussão é Tefko Saracevic. No livro Consolidation of Information, editado pela Unesco, o autor lista quatro conceitos de informação, indo da abordagem mais contextual e cultural à gerencial. Também é importantíssima para a discussão o artigo de Capurro e Hjørland, The concept of information, que está traduzido na Perspectivas em Ciência da Informação e faz um histórico do termo e suas acepções desde o grego e o latim.

Claro, há muito mais do que isso, inclusive porque é preciso optar entre as correntes teóricas em que se quer aprofundar. Mas é um começo.

PS: quem entende francês também pode conferir a discussão multidisciplinar feita pelo Centre D´Alembert, da Paris-Sud 11, que chamou pessoas das mais diversas áreas (Biologia, Geografia, Matemática, Ciência da Informação)  para expor seu conceito de informação. Keynotes e áudios aqui.


Written by Joana Ziller

abril 27th, 2010 at 12:28 pm

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A cadeia semiósica não para

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É março, não posto desde dezembro.  Não por falta de temas, leituras, cutucões. É que estou pensando (e lendo para) o núcleo do capítulo teórico da tese – ou seja, o núcleo do núcleo.

Várias vezes por dia penso: vou escrever um post sobre isso para o blog. E o “isso” daquele momento se transforma em um novo daqui a pouco, o interpretante se traduz em um outro interpretante. A cadeia semósica não para – talvez fosse isso o que Cazuza dissesse se tivesse lido Peirce.

Fico pensando quando é que devemos recortar e registrar esse processo, tão cheio de idas e vindas. É ótimo descobrir algo, repensar, redescobrir de outro ponto de vista e depois perceber que tudo não era bem assim. Mas esse caminho merece registro? Devemos deixar disponíveis on-line também os nossos equívocos? Até que ponto eles podem contribuir para outros trajetos científicos? A rede é madura para lidar com eles ou a publicação (e o deixar permanecer) de um pensamento que se mostra equivocado logo depois de registrado pode nos prejudicar posteriormente?

Written by Joana Ziller

março 16th, 2010 at 6:34 pm

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Conversar no YouTube exige esforços

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Depois de ter minha conta excluída do YouTube (ver imagem) ao tentar entrar em contato com outros usuários, criei uma nova conta e continuei convidando proprietários de canais para responderem o questionário da minha pesquisa.

Dessa vez, tomei cuidados extras. O primeiro foi convidar o máximo possível de pessoas por meio de outras plataformas – Twitter, Facebook, blogs e e-mail. Mas nem todos os canais tinham contatos externos ao YouTube.

Então, descobri que, se me associasse ao canal antes de enviar a mensagem, o YouTube não bloqueava minha conta. E comecei a me associar a todos os canais dos quais ainda não havia conseguido um contato inicial com  o proprietário. Estabeleci uma dinâmica: me associava, assistia a pelo menos um vídeo e enviava a mensagem.

Notei, depois de algum tempo, que o YouTube não estava enviando todas as mensagens. Não havia uma regra – enviava algumas, não enviava outras. Desconfiei que o sistema bloqueasse mensagens semelhantes e comecei a variá-las.

Essa variação resolveu o problema, mas criou outro inconveniente: as mensagens, que até então seguiam um padrão, precisavam ser diferentes entre si. No final, reescrevi 38 vezes a mesma mensagem. Como algumas delas ficaram muito semelhantes, o sistema também bloqueou.  Essas, reescrevi mais uma ou duas vezes, até conseguir que o sistema as exibisse na lista das enviadas.

O esforço valeu a pena. O índice de respondentes ficou bom, acima do que eu esperava. E vai dar um bom começo de pesquisa.

Written by Joana Ziller

dezembro 29th, 2009 at 3:22 pm

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YouTube não estimula contato entre os usuários

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Já participei de algumas discussões sobre se o YouTube seria uma rede social ou um repositório de vídeos. Sempre achei que se assemelha mais a um repositório, mas concordava que havia ali características de rede social. Imaginem então minha surpresa ao tentar, sem êxito, me comunicar com proprietários de canais do YouTube e ter minha conta cancelada.

Comecei, há cerca de uma semana, a contatar blogueiros e proprietários de canais do YouTube para a minha pesquisa de doutorado. Com os blogueiros, tudo vai bem. Mas boa parte dos proprietários de canais não disponibiliza meios de contato que não os do próprio YouTube. Assim, tentei enviar mensagens a alguns deles, convidando para responderem a um questionário on-line. Após a segunda mensagem, o YouTube excluiu minha conta.

Não me dei por vencida. Pensei que eles tinham me tomado como spammer, o que não era uma leitura de todo equivocada, já que enviava mensagens não solicitadas. Criei uma nova conta e planejei enviar mensagens espaçadas no tempo, para que não configurasse envio em massa. Resultado: minha nova conta foi suspensa após a primeira mensagem enviada.

Pode ser que haja proibições a mensagens com links externos.  Pode ser que tenham detectado no segundo texto enviado semelhanças com aquele que fez minha primeira conta ser cancelada. De uma forma ou de outra, não me enviaram sequer um e-mail comunicando a exclusão e a posterior suspensão.

Fica a impressão de que a comunicação entre os membros do YouTube deve ser feita utilizando outras plataformas, como e-mail, Twitter, Orkut. E que a suposta rede social ali presente é construída pelos usuários utilizando-se dessas plataformas, de maneira a extrapolar o que o YouTube oferece como recurso.

Na primeira tentantiva, excluíram a conta sem aviso

Written by Joana Ziller

dezembro 7th, 2009 at 1:08 pm