Antropofagias digitais

Apropriações e convergências em rede

Você conhece os termos de uso do seu site preferido?

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Partindo desse questionamento, alunxs da disciplina Processos de Criação em Mídias Digitais discutiram termos de uso de 10 sites. Ao final, apresentaram trabalhos que apresentam algumas das regras de maneira fácil de entender – e, por que não, divertida. Abaixo, os que mais gostei.

YouTube x Vimeo

Sem dúvida, um dos trabalhos que mais gostei de receber na vida. Feito por Awa Maia, Dayanne Sperle, Isabella Deschamps e Mariana Viana, se utiliza do estilo Draw My life, que elas explicam rapidamente aqui.

Facebook x Twitter

A comparação das regras desses sites de redes sociais deram origem ao infográfico abaixo, feito por Camila Albino, Conrado Moreira e Luíza Pontes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gmail x Yahoo x Hotmail

Alana, Mariana Tavares, Mateus e Victória foram além do que pedi e compararam os termos de uso dos principais serviços de e-mail disponíveis, além de tratarem um pouco da história e da utilização desses sites pelo mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Yahoo x Outlook

Temática semelhante à do infográfico anterior, mas tratamento gráfico bem diferente. O resultado do trabalho de João Luiz dos Santos, Júlia Brito, Larissa Clark e Paloma Alcântara é objetivo e bem interessante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tumblr x Instagram

Por fim, a bem-humorada comparação de Ligia Arnaut, Lila Rafaela, Lizandra Muniz, Marcela Vieira, Nadine Alves.

 

Written by Joana Ziller

maio 21st, 2013 at 8:54 pm

Apropriações em vídeo

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Todo semestre, peço aos meus alunxs um trabalho de apropriação. A maioria escolhe fazer um vídeo, mas alguns brincam com fotografias, sons e outras linguagens. Abaixo, alguns dos mais bacanas que a turma de Processos de Criação em Mídias Digitais produziu neste ano. Parabéns!

Recortes atemporais

Luisa Lóes, Maria Navarro e Matheus Rabelo se apropriaram do conceito do trabalho fotográfico de David Meanix e resignificaram obras de arte famosas. O processo, descrito no vídeo, culminou com o trabalho abaixo.

reapropriações

#nerdnabalada


O meme inspirou a relegenda de Here I Go Again. Trabalho de Luiz Felipe Nunes, Laiza Monique e Ramon Bessa.

 

Voz do Google no cinema


Mais um vídeo com as melhores frases do cinema, dessa vez ditas pela (muito expressiva) voz feminina do Google Translate. De Anna Carolina Zenatelli, Anna Luísa Silveira e Thays Lorrana Maciel.

 

Bukowski + Matrix


Esse é mais reflexivo. Lucas Sangi, Luiz Fernando Motta Barbosa, Raíza Albernaz dos Santos Crespo e Talles Barbosa Cabral editaram cenas da trilogia Matrix para ilustrar um poema de Bukowski, narrado pelo próprio.

 

Dimitri descobre que a Joana adiou o trabalho


Por fim, a alegria de Bárbara Mendes e Míriam Santos ao saber que eu havia adiado a entrega desse trabalho deu origem à relegenda do já famoso vídeo de Dimitri.

 

 

Written by Joana Ziller

dezembro 14th, 2012 at 9:31 pm

Quer fazer um game simples? Seus problemas acabaram!

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Nesta semana, me pediram para dar uma pequena oficina sobre newsgames. Como acompanho o tema, tinha tudo quase pronto. Para a nossa alegria minha surpresa, ao conferir e atualizar o material, vi que quase todas as plataformas que usava em exercícios ao final da aula saíram do ar.

Gastei a tarde procurando algumas plataformas simples, que pudessem ajudar jornalistas sem conhecimento de programação a fazer pequenos games, como o Bolinha de Papel no Serra, que circulou na época da campanha para as eleições presidenciais, em 2010.

Jogar Atire bolinhas de papel no José Serra.
Jogos de Humor e mais no Sitedegames.com!

Resolvei compartilhar o resultado, para poupar o tempo dos próximos. As plataformas e ferramentas gratuitas que encontrei (e testei) foram:

  • Sploder – permite montar pequenos games personalizados, mas apenas com elementos já disponíveis no próprio site. Ou seja, é flexível, mas não dá para brincar de criar games que se adaptem ao noticiário;
  • Kongregate – o mais simples de usar, mas também o que oferece opções mais limitadas;
  • Byond – ferramenta bem flexível, mas é preciso baixar e instalar em seu computador;
  • Game Gonzo – meu preferido. Oferece 24 opções de tipo de jogo, dos de plataforma, como o básico do Mário, aos tradicionais de  atirador – esse, bem parecido com o modelo da Bolinha de Papel no Serra. É possível personalizar cada um dos elementos gráficos do jogo, com opções disponíveis na plataforma, imagens da web ou feitas pelo usuário.

 

Alguns newsgames

Se o tema dos newsgames te interessa, vale começar a leitura por um artigo do Tiago Dória. O texto é de 2008, mas tem bons exemplos e explica o que significa o termo. Para mim, não dá para falar de newsgames sem passar pelo game ativismo. E, nesse campo, o melhor exemplo que conheço é o McVideogame, da Molle Industria. O grupo tem jogos muito bacanas, que tratam desde a obsolescência programada de smartfones até os vazamentos do Wikileaks. Também é importante conhecer o Special Force, do Hezbollah, jogo de atirador em primeira pessoa em que os árabes, em vez de assumir o papel de terroristas frequentemente impingido a eles, são os mocinhos.

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No Brasil, a revista Superinteressante é uma das que mais investem nas narrativas informativas em game, como mostra o vídeo acima. Filosofighters, Jogo da Máfia, CSI e Corrida Eleitoral são alguns dos exemplos. Mas há muitos pretensos newsgames que não podem ser jogados, são como infográficos animados, deixando de lado a premissa fundamental de um game. É relativamente difícil encontrar jornalistas que gostem de games (imagina um que saiba programá-los) e, acho que é óbvio, não dá para fazer um ótimo game sem antes ter investido algumas centenas de horas em um console.

Para terminar, alguns bons newsgames entrangeiros são o Be a Reporter, em que o jogador é um jornalista em busca de informações para elaborar uma reportagem; e o Budget Hero, que a American Public Media usa para saber o nível de entendimento de seus ouvintes sobre a economia.

Se quiser se aprofundar no tema, leia Newsgame, do Ian Bogost (em inglês) e Do Odyssey 100 aos NewsGames, do Geraldo Seabra e da Luciene Santos.

Written by Joana Ziller

maio 28th, 2012 at 7:21 pm

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Modernistas – 01 de alguns

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Estudando o modernismo, vou aproveitar para juntar aqui alguns textos e imagens, a fim de ajudar a mim, em incursões futuras, e a quem quiser entender um pouco mais sobre o tema.

Peter Gay, autor do livro Modernismo – o fascínio da heresia, que dá base a estes posts, diz que se fosse preciso definir um pai do Modernismo, esse seria Baudelaire. O poema A que está sempre alegre [A celle qui est trop gaie] choca o imaginário da época tanto pela dualidade de sentimentos do poeta em relação à sua musa, Jeanne Duval, quanto pela forma explícita como fala de sexo e dos próprios sentimentos.

O poema é um dos seis d’As flores do mal censurados em sua época pela justiça francesa.

“Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria em cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!”

Entre os pintores, Gay explica que Manet é um dos expoentes máximos do surgimento do modernismo. Para ele, “Não seria descabido entender seus quadros como uma transposição do programa baudelairiano para a tela” (p. 63).

Baudelaire e Manet partilhavam a crença de que era preciso viver como homens de seu tempo - il faut être de son temps, dizia o primeiro. Na mesma linha, Manet afirmava que, “O fato é que nosso único dever é extrair de nossa época o que ela tem a nos oferecer, sem deixar de admirar o que as épocas anteriores realizaram”.

 

 

 

Written by Joana Ziller

maio 3rd, 2012 at 4:52 pm

Para a nossa alegria

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Virou meme. Para a nossa alegria, uma das poucas frases decodificáveis na música gravada por Jéeh, Suuh e Mara, foi apropriada e republicada por centenas de pessoas – inclusive comediantes da MTV e a família Melo/Rodrigues. Passou também a dar o tom a comentários como “amanhã é feriado, para a nossa alegria”. A diferença desse vídeo em relação a tantos outros que são apropriados e republicados é que as personagens são sujeitos reais, ao contrário, por exemplo, d’A Queda.

Certamente Jéeh, Suuh e Mara não pensavam em tamanha fama repentina. Como será que lidarão com o que vem depois?


 

 

Written by Joana Ziller

abril 28th, 2012 at 1:05 pm

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Infográficos muito bons

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Preparando aula sobre infográficos, achei que há alguns tão bacanas que valem um post. Selecionei alguns. Vamos a eles, que são o que importa.

  • Carros do futuro / acidentes aéreos - não são os melhores que já vi, mas o IG faturou, com eles, dois Malofiej (importante prêmio da área dos infográficos), batendo concorrentes internacionais
  • O que marketeiros digitais sabem sobre você - feito por The Wall Street Jornal, é um dos conteúdos jornalísticos mais interessantes que já vi sobre como e quais informações fornecemos ao navegar
  • Que se pode fazer com 25 metros quadrados? – publicado por El Mundo em 2005, continua sendo um ótimo exemplo de para o que servem infográficos e newsgames
  • De onde vêm jorgadores da Copa? – tenho que confessar: na última Copa, comecei uma planilha para juntar exatamente essas informações. Queria comparar a diferença entre as edições mais recentes do torneio. Não tive fôlego para terminar. Mas o Estadão fez o serviço e ainda apresentou de um jeito delicioso de navegar.
  • Faces of the Dead – De arrepiar. Rosto de soldados mortos na Guerra do Iraque são formados por fotos de outros soldados. Varia a cada clique. Do New York Times.
  • A World of Tweets – heat map com informações geolocalizadas sobre o uso do Twitter, atualizadas a cada segundo. Os dados começam a ser contados quando acessamos o site. Assinado pelo Frog Design.
  • Lost – feito pelo site espanhol LaInformacion, apresenta a ilha de Lost em um mapa, com informações divididas por temporada
  • Bitchmaps – também não é novo, mas é muito bacana. Reúne informações geolocalizadas sobre garotas de programa em sete cidades do Brasil (SP, RJ, BH, Campinas, Curitiba, Londrina e Porto Alegre), com preço, telefone e link para fórum de discussão sobre os serviços prestados

Há muitos outros ótimos infográficos, claro. Um bom site para acompanhar a discussão é o do Alberto Cairo.

 

Written by Joana Ziller

setembro 24th, 2011 at 10:56 pm

Especial discute história da Internet no Brasil

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A revista Época lançou, em seu site, especial sobre como a Internet se entrelaça ao tecido social e muda nossa vida nos últimos dez anos – ainda que algumas parte do material vão além além desse período.

Além de entrevistas com grandes nomes da comunicação digital, um infográfico com a linha do tempo da Internet reúne informações dispostas de maneira a que o contexto dos adventos e bancarrotas apareça.

O material nasceu de um especial sobre o 11 de setembro. É ótima referência para jornalistas, estudantes e curiosos. Uma provinha no vídeo abaixo, incorporado à linha do tempo da revista.

Written by Joana Ziller

setembro 12th, 2011 at 6:16 pm

Cultura livre é tema de encontro em Mariana

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Como parte do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, será realizado, de 11/07 a 16/07, o I Encontro de Cultura Livre. Gente muito boa, como Marcelo Branco, Sérgio Amadeu da Silveira e Ivana Bentes debatem mídia e cultura livres.

Além do ciclo de debates, o Encontro tem oficinas de software livre e midialivrismo, com o pessoal do Circuito Fora do Eixo, e uma Mostra de Vídeos Antropofágicos, exibidos antes de eventos ao longo de todo o Festival.

O I Encontro de Cultura Livre foi idealizado e produzido pelo prof. Ricardo Orlando, do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFOP,PC Belchior, do Coletivo Muzinga, e Circuito Fora do Eixo.

Programação completa

11/07

-        9h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h às 16h – Painel dos coletivos: Formação e planejamento de coletivos culturais – Lucas Mortimer (Coletivo Pegada – BH)
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

12/07

-        9h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h às 16h – Painel dos coletivos: distribuição e circulação. Circuito Fora do Eixo.
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

13/07

-        10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        10h às 12h – Oficina: Software Livre
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h às 16h – Painel dos coletivos: sustentabilidade. Débora Andrade (Coletivo Goma)
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        20h – “Debate/Sarau Letras Livres: o digital e as novas expressões da literatura. Com Tatiana Oliveira (Circuito Fora do Eixo).
Local: a definir

14/07

-        10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h – Painel especial: Coletivos, economia solidária e cultura livre.
Com: Débora Andrade (Circuito Fora do Eixo)
Geraldo Márcio Alves dos Santos (UFV)
Leonardo de Deus (UFOP)
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        19h – Abertura do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”.
Mesa 1: “O que é cultura livre (ou quem tem medo da cultura livre?)”
Local: Centro de Convenções de Mariana

15/07

-        10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h – Painel: Software livre.
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        19h – Ciclo de debates “Cultura livre hoje”
Mesa 2: “Cultura livre: compartilhamento de arquivos e direitos autorais”
Local: Centro de Convenções de Mariana

 

16/07

-        10h às 12h – Oficinas: avaliação
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)

-        14h – Ciclo de debates “Cultura livre hoje”
Mesa 3: “Práticas e expressões da cultura livre: midialivrismo”
Local: Centro de Convenções de Mariana

-        18h – Mostra de vídeos realizados nas oficinas
Local: a definir.

Durante toda a semana: Mostra de Vídeos Antropofágicos
Curadoria: Profa. Joana Ziller (UFOP)
Locais:      Centro de Convenções de Mariana
Cine Vila Rica (Ouro Preto)

 

Ciclo de debates  “Cultura livre hoje” – 14/07 a 16/07

Local: Auditório do Centro de Convenções de Mariana

 

14/07

-        19h – Abertura do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”, do I Encontro de Cultura Livre do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana

-        19h20 – Mesa 1: “Cultura livre, o que é” ou “Quem tem medo da cultura livre?”
Com: Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC)
Pablo Ortellado (USP)
Marcelo Branco (Associação Softwarelivre.org)
Mediação: Camila Cortielha (Circuito Fora do Eixo)

 

15/07

-        19h15 – Mesa 2 do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”.
Tema: “Cultura livre: compartilhamento de arquivos e direitos autorais”
Com: Eduardo Magrani (Fundação Getúlio Vargas)
Márcio do Val (ECAD) – a confirmar
Talles Lopes (ABRAFIN)
Mediação: Leonardo Barbosa Rossato (PCult)

 

16/07

-        14h – Mesa 3 do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”
Tema: “Práticas e expressões da cultura livre: midialivrismo”
Com: Ivana Bentes (UFRJ)
Rafael Rolim (Circuito Fora do Eixo)

Cesar Piva (MinC)
Mediação: Joana Ziller (UFOP)

 

Written by Joana Ziller

junho 20th, 2011 at 6:35 pm

YouTube passa a possibilitar uso das Creative Commons

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O YouTube anunciou ontem (01/06/2011) e já está disponível para usuários o licenciamento via Creative Commons de vídeos publicados no site. É uma grande mudança para o YouTube, cuja postura autoritária já discuti algumas vezes aqui no blog e na minha tese.

A Creative Commons é uma licença flexível. O YouTube possibilita o licenciamento na versão CC-by-3.0, que permite que outros usuários compartilhem, remixem e façam uso comercial da obra, desde que seja dado o crédito ao autor.

O que muda

A partir de hoje (02/06/2011), ao publicar um vídeo previamente elaborado ou criá-lo pela ferramenta própria do site, o usuário pode optar pela licença padrão do YouTube ou pela CC-by-3.0.  A mesma possibilidade é colocada quando editamos vídeos que já publicamos – ou seja, qualquer usuário pode converter todo o conjunto de vídeos de seu canal para a licença flexível.

Na prática, a apropriação, remixagem e republicação é atitude corrente entre os usuários do YouTube. Mesmo a atribuição de autoria original, exigida pela CC-by-3.0, já era vista como uma questão de ética – em entrevistas que fiz para a minha tese, vários internautas que publicam e acessam conteúdo no YouTube disseram que a apropriação não é um problema, desde que citada a fonte original.

A mudança do YouTube também não representa uma postura completamente nova. Outros sites, como o Vimeo, incentivam usuários a permitirem o download e a elaboração de trabalhos derivados a partir dos vídeos que publicam.

E por que é importante?

Não apenas por se tratar do maior site de compartilhamento de vídeos, a mudança do YouTube deve gerar muitas discussões. Alguns dos canais mais acessados no Brasil, por exemplo, são compostos por republicações de clipes, novelas e outros conteúdos vindos da TV ou de DVDs. O que acontece se essas pessoas passarem a republicar esses vídeos sob a CC-by-3.0? As TVs e gravadoras, muitas delas até agora tolerantes em relação à republicação, vão manter essa postura?

Outro exemplo: se um usuário do YouTube republica, sob CC-by-3.0, um programa com a famigerada Sandy que gravou da TV e outro usuário se apropria desse clipe e o modifica de forma que a famigerada gravadora não aprove, como fica um virtual processo? Será contra o YouTube, o internauta que primeiro republicou o vídeo ou aquele que se apropriou dessa republicação, achando que tinha permissão para isso, e alterou o conteúdo de maneira que a gravadora não gostou?

Vou gostar de acompanhar o desenrolar dessa mudança!

Written by Joana Ziller

junho 2nd, 2011 at 4:12 pm

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Rascunho e palimpsesto

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Lendo sobre software livre e produsage, fiquei pensando na formalização dos caminhos que percorremos para chegar a umAntigos e Soltos - Ana C. produto publicável – seja um software, um artigo científico, uma música, uma postagem no blog (que eu vou chamar aqui de conteúdos, só para simplificar). Antes da digitalização, era caro e trabalhoso tornar pública uma música, um software. A tal ponto que o que era publicado era visto como O produto, O resultado de um processo.

Ao facilitar o registro e a distribuição, a digitalização e, mais do que ela, o compartilhamento on-line nos influencia a publicar  conteúdos em processo. Como no caso do desenvolvimento do Linux, em que a primeira versão compartilhada foi a 0.01. Uma das ideias centrais do processo implementado por Linus Torvalds, liberar depressa significava formalizar o processo para que outros pudessem testar seu trabalho e continuar a partir dele (sobre o processo inovador do Linux, ler A Catedral e o Bazar, do Eric Raymond, em PT ou EN) . Mas liberar depressa só era possível porque o registro e  o acesso eram extremamente simples – ninguém precisava gravar 5 mil CDs com o novo beta e enviar pelo correio, bastava disponibilizar para download e avisar aos interessados por e-mail ou fórum.

No jornalismo on-line, essa máxima pegou e muitos erros são cometidos em função dela. É diferente do processo do software. Alguém que lê uma notícia errada pode não voltar ao blog ou portal quando ela estiver corrigida e, assim, manter para si a informação incorreta. Mas, ao mesmo tempo, suspeito que esse tipo de comportamento está imbricado à elaboração de notícias on-line (a Sílvia Moretzsohn trata disso aqui). E a solução mais comum é apontar para um produto final que se utiliza de meios tradicionais, como o impresso (ver o ótimo modelo News Diamond, do Paul Bradshaw).

Fico me perguntando até que ponto essa não é apenas uma concessão aos modelos anteriores de produção. Porque se algo foi publicado no impresso – e tido como mais “acabado” – não significa que esteja terminado. É como comparar o processo de software livre e proprietário. Quando compramos uma caixinha da nova versão do software na loja, dá a ideia de que está pronto. Não está. Continua recebendo atualizações, sendo estudado e alterado na empresa que o produziu.

Quando publicamos uma notícia no impresso, o mundo não reduz a marcha até começarmos a trabalhar na edição do dia seguinte. Mas há um elemento  inerente ao processo: já que só vamos poder publicar outra notícia amanhã, aceleramos o ritmo e produzimos algo que deve ter uma duração maior. A discussão é longa, vou voltar ao cerne dessa postagem, o rascunho e o palimpsesto.

Ao registrarmos nossos rascunhos, contribuímos para que outros pensem a partir deles, mesmo que apenas para dizer que estavam errados. E deixamos um palimpsesto, uma marca do processo, que indica como chegamos até ali. Claro, tudo isso é bom se dissermos algo que interesse a alguém, caso contrário estaremos apenas criando problemas para aqueles que pesquisam a ampliação da capacidade de registro de bits (o livro da Ana Cristina Cesar versus o suposto vídeo da Xuxa beliscando uma menina). Me pergunto, ao contrário, se conseguimos lidar bem com essa formalização do caminho, se não seremos cobrados pelos pensamentos que registramos e, depois, nós mesmos (ou outros) refutamos.

É uma pergunta sem resposta. Formalização do processo. Quem sabe, palimpsesto.

Written by Joana Ziller

fevereiro 2nd, 2011 at 11:27 am