Infográficos muito bons
Preparando aula sobre infográficos, achei que há alguns tão bacanas que valem um post. Selecionei alguns. Vamos a eles, que são o que importa.
- Carros do futuro / acidentes aéreos - não são os melhores que já vi, mas o IG faturou, com eles, dois Malofiej (importante prêmio da área dos infográficos), batendo concorrentes internacionais
- O que marketeiros digitais sabem sobre você - feito por The Wall Street Jornal, é um dos conteúdos jornalísticos mais interessantes que já vi sobre como e quais informações fornecemos ao navegar
- Que se pode fazer com 25 metros quadrados? – publicado por El Mundo em 2005, continua sendo um ótimo exemplo de para o que servem infográficos e newsgames
- De onde vêm jorgadores da Copa? – tenho que confessar: na última Copa, comecei uma planilha para juntar exatamente essas informações. Queria comparar a diferença entre as edições mais recentes do torneio. Não tive fôlego para terminar. Mas o Estadão fez o serviço e ainda apresentou de um jeito delicioso de navegar.
- Faces of the Dead – De arrepiar. Rosto de soldados mortos na Guerra do Iraque são formados por fotos de outros soldados. Varia a cada clique. Do New York Times.
- A World of Tweets – heat map com informações geolocalizadas sobre o uso do Twitter, atualizadas a cada segundo. Os dados começam a ser contados quando acessamos o site. Assinado pelo Frog Design.
- Lost – feito pelo site espanhol LaInformacion, apresenta a ilha de Lost em um mapa, com informações divididas por temporada
- Bitchmaps – também não é novo, mas é muito bacana. Reúne informações geolocalizadas sobre garotas de programa em sete cidades do Brasil (SP, RJ, BH, Campinas, Curitiba, Londrina e Porto Alegre), com preço, telefone e link para fórum de discussão sobre os serviços prestados
Há muitos outros ótimos infográficos, claro. Um bom site para acompanhar a discussão é o do Alberto Cairo.
Especial discute história da Internet no Brasil
A revista Época lançou, em seu site, especial sobre como a Internet se entrelaça ao tecido social e muda nossa vida nos últimos dez anos – ainda que algumas parte do material vão além além desse período.
Além de entrevistas com grandes nomes da comunicação digital, um infográfico com a linha do tempo da Internet reúne informações dispostas de maneira a que o contexto dos adventos e bancarrotas apareça.
O material nasceu de um especial sobre o 11 de setembro. É ótima referência para jornalistas, estudantes e curiosos. Uma provinha no vídeo abaixo, incorporado à linha do tempo da revista.
Cultura livre é tema de encontro em Mariana
Como parte do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, será realizado, de 11/07 a 16/07, o I Encontro de Cultura Livre. Gente muito boa, como Marcelo Branco, Sérgio Amadeu da Silveira e Ivana Bentes debatem mídia e cultura livres.
Além do ciclo de debates, o Encontro tem oficinas de software livre e midialivrismo, com o pessoal do Circuito Fora do Eixo, e uma Mostra de Vídeos Antropofágicos, exibidos antes de eventos ao longo de todo o Festival.
O I Encontro de Cultura Livre foi idealizado e produzido pelo prof. Ricardo Orlando, do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFOP,PC Belchior, do Coletivo Muzinga, e Circuito Fora do Eixo.
Programação completa
11/07
- 9h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h às 16h – Painel dos coletivos: Formação e planejamento de coletivos culturais – Lucas Mortimer (Coletivo Pegada – BH)
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
12/07
- 9h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h às 16h – Painel dos coletivos: distribuição e circulação. Circuito Fora do Eixo.
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
13/07
- 10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 10h às 12h – Oficina: Software Livre
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h às 16h – Painel dos coletivos: sustentabilidade. Débora Andrade (Coletivo Goma)
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 16h30 – 18h30 – Oficina: Cultura Remix
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 20h – “Debate/Sarau Letras Livres: o digital e as novas expressões da literatura. Com Tatiana Oliveira (Circuito Fora do Eixo).
Local: a definir
14/07
- 10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h – Painel especial: Coletivos, economia solidária e cultura livre.
Com: Débora Andrade (Circuito Fora do Eixo)
Geraldo Márcio Alves dos Santos (UFV)
Leonardo de Deus (UFOP)
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 19h – Abertura do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”.
Mesa 1: “O que é cultura livre (ou quem tem medo da cultura livre?)”
Local: Centro de Convenções de Mariana
15/07
- 10h às 12h – Oficina: Midialivrismo – Circuito Fora do Eixo.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 10h às 12h – Oficina: Software Livre.
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h – Painel: Software livre.
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 19h – Ciclo de debates “Cultura livre hoje”
Mesa 2: “Cultura livre: compartilhamento de arquivos e direitos autorais”
Local: Centro de Convenções de Mariana
16/07
- 10h às 12h – Oficinas: avaliação
Local: Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA/UFOP)
- 14h – Ciclo de debates “Cultura livre hoje”
Mesa 3: “Práticas e expressões da cultura livre: midialivrismo”
Local: Centro de Convenções de Mariana
- 18h – Mostra de vídeos realizados nas oficinas
Local: a definir.
Durante toda a semana: Mostra de Vídeos Antropofágicos
Curadoria: Profa. Joana Ziller (UFOP)
Locais: Centro de Convenções de Mariana
Cine Vila Rica (Ouro Preto)
Ciclo de debates “Cultura livre hoje” – 14/07 a 16/07
Local: Auditório do Centro de Convenções de Mariana
14/07
- 19h – Abertura do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”, do I Encontro de Cultura Livre do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana
- 19h20 – Mesa 1: “Cultura livre, o que é” ou “Quem tem medo da cultura livre?”
Com: Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC)
Pablo Ortellado (USP)
Marcelo Branco (Associação Softwarelivre.org)
Mediação: Camila Cortielha (Circuito Fora do Eixo)
15/07
- 19h15 – Mesa 2 do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”.
Tema: “Cultura livre: compartilhamento de arquivos e direitos autorais”
Com: Eduardo Magrani (Fundação Getúlio Vargas)
Márcio do Val (ECAD) – a confirmar
Talles Lopes (ABRAFIN)
Mediação: Leonardo Barbosa Rossato (PCult)
16/07
- 14h – Mesa 3 do Ciclo de Debates “Cultura livre hoje”
Tema: “Práticas e expressões da cultura livre: midialivrismo”
Com: Ivana Bentes (UFRJ)
Rafael Rolim (Circuito Fora do Eixo)
Cesar Piva (MinC)
Mediação: Joana Ziller (UFOP)
YouTube passa a possibilitar uso das Creative Commons
O YouTube anunciou ontem (01/06/2011) e já está disponível para usuários o licenciamento via Creative Commons de vídeos publicados no site. É uma grande mudança para o YouTube, cuja postura autoritária já discuti algumas vezes aqui no blog e na minha tese.
A Creative Commons é uma licença flexível. O YouTube possibilita o licenciamento na versão CC-by-3.0, que permite que outros usuários compartilhem, remixem e façam uso comercial da obra, desde que seja dado o crédito ao autor.
O que muda
A partir de hoje (02/06/2011), ao publicar um vídeo previamente elaborado ou criá-lo pela ferramenta própria do site, o usuário pod
e optar pela licença padrão do YouTube ou pela CC-by-3.0. A mesma possibilidade é colocada quando editamos vídeos que já publicamos – ou seja, qualquer usuário pode converter todo o conjunto de vídeos de seu canal para a licença flexível.
Na prática, a apropriação, remixagem e republicação é atitude corrente entre os usuários do YouTube. Mesmo a atribuição de autoria original, exigida pela CC-by-3.0, já era vista como uma questão de ética – em entrevistas que fiz para a minha tese, vários internautas que publicam e acessam conteúdo no YouTube disseram que a apropriação não é um problema, desde que citada a fonte original.
A mudança do YouTube também não representa uma postura completamente nova. Outros sites, como o Vimeo, incentivam usuários a permitirem o download e a elaboração de trabalhos derivados a partir dos vídeos que publicam.
E por que é importante?
Não apenas por se tratar do maior site de compartilhamento de vídeos, a mudança do YouTube deve gerar muitas discussões. Alguns dos canais mais acessados no Brasil, por exemplo, são compostos por republicações de clipes, novelas e outros conteúdos vindos da TV ou de DVDs. O que acontece se essas pessoas passarem a republicar esses vídeos sob a CC-by-3.0? As TVs e gravadoras, muitas delas até agora tolerantes em relação à republicação, vão manter essa postura?
Outro exemplo: se um usuário do YouTube republica, sob CC-by-3.0, um programa com a famigerada Sandy que gravou da TV e outro usuário se apropria desse clipe e o modifica de forma que a famigerada gravadora não aprove, como fica um virtual processo? Será contra o YouTube, o internauta que primeiro republicou o vídeo ou aquele que se apropriou dessa republicação, achando que tinha permissão para isso, e alterou o conteúdo de maneira que a gravadora não gostou?
Vou gostar de acompanhar o desenrolar dessa mudança!
Rascunho e palimpsesto
Lendo sobre software livre e produsage, fiquei pensando na formalização dos caminhos que percorremos para chegar a um
produto publicável – seja um software, um artigo científico, uma música, uma postagem no blog (que eu vou chamar aqui de conteúdos, só para simplificar). Antes da digitalização, era caro e trabalhoso tornar pública uma música, um software. A tal ponto que o que era publicado era visto como O produto, O resultado de um processo.
Ao facilitar o registro e a distribuição, a digitalização e, mais do que ela, o compartilhamento on-line nos influencia a publicar conteúdos em processo. Como no caso do desenvolvimento do Linux, em que a primeira versão compartilhada foi a 0.01. Uma das ideias centrais do processo implementado por Linus Torvalds, liberar depressa significava formalizar o processo para que outros pudessem testar seu trabalho e continuar a partir dele (sobre o processo inovador do Linux, ler A Catedral e o Bazar, do Eric Raymond, em PT ou EN) . Mas liberar depressa só era possível porque o registro e o acesso eram extremamente simples – ninguém precisava gravar 5 mil CDs com o novo beta e enviar pelo correio, bastava disponibilizar para download e avisar aos interessados por e-mail ou fórum.
No jornalismo on-line, essa máxima pegou e muitos erros são cometidos em função dela. É diferente do processo do software. Alguém que lê uma notícia errada pode não voltar ao blog ou portal quando ela estiver corrigida e, assim, manter para si a informação incorreta. Mas, ao mesmo tempo, suspeito que esse tipo de comportamento está imbricado à elaboração de notícias on-line (a Sílvia Moretzsohn trata disso aqui). E a solução mais comum é apontar para um produto final que se utiliza de meios tradicionais, como o impresso (ver o ótimo modelo News Diamond, do Paul Bradshaw).
Fico me perguntando até que ponto essa não é apenas uma concessão aos modelos anteriores de produção. Porque se algo foi publicado no impresso – e tido como mais “acabado” – não significa que esteja terminado. É como comparar o processo de software livre e proprietário. Quando compramos uma caixinha da nova versão do software na loja, dá a ideia de que está pronto. Não está. Continua recebendo atualizações, sendo estudado e alterado na empresa que o produziu.
Quando publicamos uma notícia no impresso, o mundo não reduz a marcha até começarmos a trabalhar na edição do dia seguinte. Mas há um elemento inerente ao processo: já que só vamos poder publicar outra notícia amanhã, aceleramos o ritmo e produzimos algo que deve ter uma duração maior. A discussão é longa, vou voltar ao cerne dessa postagem, o rascunho e o palimpsesto.
Ao registrarmos nossos rascunhos, contribuímos para que outros pensem a partir deles, mesmo que apenas para dizer que estavam errados. E deixamos um palimpsesto, uma marca do processo, que indica como chegamos até ali. Claro, tudo isso é bom se dissermos algo que interesse a alguém, caso contrário estaremos apenas criando problemas para aqueles que pesquisam a ampliação da capacidade de registro de bits (o livro da Ana Cristina Cesar versus o suposto vídeo da Xuxa beliscando uma menina). Me pergunto, ao contrário, se conseguimos lidar bem com essa formalização do caminho, se não seremos cobrados pelos pensamentos que registramos e, depois, nós mesmos (ou outros) refutamos.
É uma pergunta sem resposta. Formalização do processo. Quem sabe, palimpsesto.
Termos de uso do YouTube são irônicos
Tá bom, eu sei que a gente só lê as licenças dos serviços que usa na Internet se quiser se aborrecer: a concordância é compulsória. Por isso, nunca havia prestado atenção aos termos de uso do YouTube. Até hoje.
Já esperava uma série de absurdos. Mas tem um que me impressionou mais do que os outros. Para começar, mantemos os direitos de propriedade, mas cedemos ao YouTube ” licença mundial (…) para usar, reproduzir, distribuir, preparar trabalhos derivados, exibir e executar o Conteúdo”. Ok, o YouTube pode usar nosso material como convier a ele. É o preço pelo uso da plataforma.
Posso concordar com isso. E até gostei da parte seguinte, em que, ao enviar um vídeo para o YouTube, cedemos a “todos os usuários do Serviço uma licença (…) para usar, reproduzir, distribuir, exibir e executar tal Conteúdo”. Ótimo, isso resolve uma série de problemas. Não?
Não, porque o YouTube também nos proíbe de “copiar, reproduzir, distribuir, transmitir, exibir, vender, licenciar ou explorar qualquer Conteúdo”. Se eu (e outros usuários) não posso fazer tudo isso, porque preciso ceder licença para que eu (e outros usuários) faça tudo isso? Essa segue no mundo das perguntas sem resposta.
Outras partes dos termos de uso chegam a ser engraçadas – vão diretamente contra práticas comuns dos usuários:
- “Você não poderá baixar qualquer conteúdo, a menos que você veja um ‘download’ ou por um link similar exibido pelo YouTube no Serviço para esse Conteúdo.” Ai, essa pegou de jeito um monte de complementos do Firefox;
- ” Os usuários com contas suspensas ou encerradas estão proibidos de criar novas contas ou acessar os recursos da comunidade do YouTube.” Essa está na Ajuda, não nos termos de uso. É impressionante por ser enorme o número de usuários que recriam canais suspensos ou encerrados apenas incluindo um número após seu nome anterior; outros, mais precavidos, mantêm vários canais com conteúdo semelhante, exatamente esperando tais suspensões.
O YouTube parece desconsiderar que é uma plataforma composta pelos vídeos enviados por seus usuários. Não estão em discussão ser um site inovador (na época de seu lançamento) e que agrega uma fatia descomunal do acesso mundial a vídeos por streaming.
Mas a maneira como o site trata seus usuário é questionável. Inclusive porque, ao proibir que baixem e modifiquem conteúdo vai na contramão das práticas disseminadas de produsage, restringe a criatividade que diz ser tão fundamental aos seus domínios. Um pouco mais de respeito às nossas possibilidades de criar, apropriar-nos, alterar e publicar seria desejável.
Como é que chama o nome disso?
Pesquisar temas relacionados à tecnologia traz um problema acessório: as
nomenclaturas. Acho muito ruim usar nomes em inglês para tudo quanto é elemento da pesquisa. Mas fazer isso seria bem mais simples, porque as soluções estão prontas. YouTuber, produsage, produser e até blogger, que tem a tradução blogueiro difundida sobre a resistência de parte da comunidade, são termos que entendemos corriqueiramente.
Sempre me lembro (e a Cida Moura, minha orientadora, traz à discussão quando me esqueço) da ideia de Peirce de ética das terminologias – não dá para ficar criando novos termos a torto e a direito. Mas também é ruim adotar, sem crítica, os termos em inglês. O ideal seria encontrar correspondentes. Mas já pensou chamar produser de produsuário? YouTuber de youtubeiro? Além de ser feio, esse último nos levaria a criar outros termos para outros sites, como vimeeiro, dailymotioneiro… e foi-se o cuidado pregado por Peirce.
Na minha pesqusa, tenho adotado soluções intermediárias, chamando produser pelo termo em inglês, traduzindo youtuber como proprietário de canal no YouTube. Se você conhecer outras possibilidades, me conte – especialmente quanto ao YouTube, fico imaginando quanto somos realmente proprietários de algo por lá, uma vez que o Google se reserva direitos amplos de suspender e encerrar contas e excluir vídeos.
Mesmo em ambientes colaborativos, entrevistas são difíceis de conseguir
Até a fase de aplicação de questionários, a pesquisa que motiva este blog se desenvolveu de forma relativamente simples. Os índices de retorno, tanto de blogueiros quanto de Youtubers, foi acima dos 20% e parecia que o ambiente colaborativo fomentava a participação.
Na fase das entrevistas, o panorama mudou um pouco. Poucos blogueiros se dispuseram a conversar por Skype, tel ou outras ferramentas de voz. Entre os Youtubers a dificuldade foi ainda maior. Mesmo que poucos, acho que consegui bons resultados.
Hoje, comecei a convidar os outros envolvidos para a entrevista: aqueles que acessam blogs e Youtube. Postei comentários em todos os blogs e canais do Youtube pré-selecionados – 23 e 10, respectivamente. Nos canais o processo foi bem simples: só um deles tinha moderação, e não aceitou o comentário.
Já entre os blogs, três não tinham espaço para nenhum tipo de comentário. Dos outros 20, oito permitiram que o comentário fosse publicado. Felizmente, já houve alguns retornos e na semana que vem começo as entrevistas.
É engraçado pensar que em ambientes colaborativos esse tipo de metodologia seja tão difícil de aplicar quanto em outros – ou até mais difícil. Mais um ponto para discutir na tese!
Agradeço aos blogs que reproduziram meu comentário pedindo entrevistados: Sedentário & Hiperativo, Marketing de Busca, Não Salvo, Capinaremos, GordoNerd, Caixa Pretta, Uhull e Brogui.
Como blogueiros escolhem e hierarquizam o que postam
O título desse post corresponde a uma das questões centrais da minha tese. Atualmente, estou fazendo

entrevistas com blogueiros cujos blogs estavam entre os 100 mais bem colocados no ranking do BlogBlogs em novembro de 2009 e se mantiveram assim em julho de 2010. Pasmem: são apenas 23. Pretendo entrevistar cerca de cinco desses blogueiros.
Minha primeira conversa foi com o Marcos Lemos (@hordones), do Ferramentas Blog. Muito proveitosa para mim, virou também um blogcast dele, disponível por streaming ou para download.
É padrão devolver ao entrevistado a transcrição de perguntas e respostas. O Marcos Lemos preferiu receber o MP3 e concordamos com a divulgação de partes da conversa. Achei muito interessante participar dessa mudança de utilização da entrevista – mesmo antes da minha análise e das reflexões da tese, a entrevista foi aproveitada por ele e, quem sabe, pode colaborar para que os ouvintes do podcast reflitam sobre como escolhem e hierarquizam o que postam.
Devo admitir que estou adorando essa fase da pesquisa. Em breve, farei o mesmo com o YouTube.
Rankings de blogs escondem pequenas armadilhas
A maneira de estabelecer rankings de blogs, baseada em seu prestígio e não em sua visitação, é boa por não tomar de maneira absoluta os acessos únicos, como fazem os repositórios de vídeo, por exemplo. Assim, se aproxima da mediação social.
Por outro lado, cria problemas. Tanto no ranking do Blogblogs.com.br
quanto no pagerank permanecem listados – por vezes, bem listados – blogs que saíram do ar ou estão em domain parking – estacionamento de domínios, em tradução livre.
Acredito que pelo menos uma das causas desse fenômeno seja simples: ambas as medições se baseiam nos links que os blogs recebem. Quando esses blogs mudam ou saem do ar, esses links não são alterados - podem permanecer muito tempo intocados.
Um exemplo é o www.blogandoblog.info (imagem deste post). Há seis meses, ocupava a posição 69 do ranking do BlogBlogs. Atualmente em domain parking, caiu para além da posição 23 mil do ranking, mas mantém seu pagerank em 3, o que é melhor do que muitos blogs ativos (este, inclusive).
Se pensarmos na ideia de prestígio, que é a base do sistema, tais problemas são fruto de coerência – ainda que o blog seja extinto, seu prestígio não desmancha no ar. Mas os rankings existem por razões pragmáticas – e muito questionadas por alguns. Listar um site que saiu do ar vai contra esse princípio e aponta problemas que ainda precisam ser resolvidos na metodologia empregada.

